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October 24
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Áspero amor
Áspero amor, violeta coroada de espinhos... Arbusto entre tantas paixões erguidas, Lança das dores, coroa da ira, Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma? Por que precipitaste teu fogo doloroso, Repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho? Quem te ensinou os passos que te levaram a mim? Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha casa? A verdade é que tremeu a noite apavorante, A aurora encheu todas as taças com seu vinho E o sol estabeleceu sua presença celeste, Enquanto o amor cruel me cercava sem trégua, Até que padecendo-me com espadas e espinhos, Abriu meu coração um caminho ardente.
*Pablo Neruda*
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Saudade
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida... Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam... Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

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Ângela Adonica
Hoje deitei-me junto a uma jovem pura como se na margem de um oceano branco, como se no centro de uma ardente estrela de lento espaço.
Do seu olhar largamente verde a luz caía como uma água seca, em transparentes e profundos círculos de fresca força.
Seu peito como um fogo de duas chamas ardía em duas regiões levantado, e num duplo rio chegava a seus pés, grandes e claros.
Um clima de ouro madrugava apenas as diurnas longitudes do seu corpo enchendo-o de frutas extendidas e oculto fogo.
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*O Ramo roubado*
 Pela noite entraremos para roubar Um ramo florido. Ainda não se foi o inverno, E a macieira aparece Convertida, de súbito, Em cascata de estrelas perfumadas. Pela noite entraremos Até chegar ao firmamento trêmulo, E tuas mãos pequenas como as minhas Roubarão as estrelas. E sigilosamente À nossa casa, Pela noite e na sombra, Entrará com teus passos O silencioso passo do perfume E com pés entrelaçados O corpo claro desta primavera.

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"É bom, amor"
É bom, amor, sentir-te perto de mim na noite, invisível em teu sonho, seriamente noturna, enquanto eu desenrolo minhas preocupações como se fosse redes confundidas.
Ausente, pelos sonhos teu coração navega, mas teu corpo assim abandonado respira buscando-me sem ver-me, completando meu sonho como uma planta que se duplica na sombra.
Erguida, serás outra que viverá amanhã, mas das fronteiras perdidas na noite, deste ser e não ser em que nos encontramos
algo fica acercando-nos na luz da vida como se o selo da sombra assinalasse com fogo suas secretas criaturas.
Pablo Neruda

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October 20
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 " Nos bosques, perdido
Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro E aos labios, sedento, levante seu susurro: era talvez a voz da chuva chorando, um sino quebrado ou um coracao partido. Algo que de tao longe me parecia oculto gravemente, coberto pela terra, um gruto ensurdecido por imensos outonos, pela entreaberta e humida treva das folhas. Porem ali, despertando dos sonhos do bosque, o ramo de avela cantou sob minha boca E seu odor errante subiu para o meu entendimento como se, repentinamente, estivessem me procurando as raizes que abandonei, a terra perdida com minha infancia, e parei ferido pelo aroma errante.
Não o quero, amada. Para que nada nos prenda para que não nos una nada. Nem a palavra que perfumou tua boca nem o que não disseram as palavras. Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela..."
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